"A Odisseia", de Christopher Nolan, ultrapassou a marca dos 1,1 mil milhões de dólares de bilheteira mundial, ultrapassando "Batman: O Cavaleiro das Trevas Renasce" e tornando-se o filme com maior receita de bilheteira dos 25 anos de carreira do realizador, segundo Box Office Mojo citados pela AOL. O filme arrecadou aproximadamente 461,1 milhões de dólares nos Estados Unidos e 643,6 milhões de dólares a nível internacional após apenas quatro fins de semana em cartaz, ultrapassando o total de 1,085 mil milhões de dólares arrecadados pelo último filme da saga Batman em 2012, de acordo com o mesmo de bilheteira . A Universal confirmou o marco no fim de semana, de acordo com uma atualização do estúdio divulgada pelo Cosmic Book. A conquista é notável porque "A Odisseia" tem uma classificação indicativa para maiores de 18 anos e não faz parte de nenhuma franquia, tornando a sua ascensão à frente de uma sequela de Batman um dado raro numa indústria que se apoiou quase exclusivamente em propriedades intelectuais já existentes para os seus maiores sucessos deste ano.
A dimensão do sucesso é mais evidente no desempenho do filme em IMAX. "A Odisseia" tornou-se o filme com maior receita de bilheteira em IMAX de sempre no passado fim de semana, arrecadando 289 milhões de dólares em menos de um mês em exibição, segundo um da IMAX . Os ecrãs IMAX, que representam uma pequena fração dos cinemas do mundo, foram responsáveis por mais de 26% da receita global do filme, informou a empresa no mesmo comunicado. Uma semana antes, a IMAX já tinha divulgado que "A Odisseia" foi o filme mais rápido da sua história a ultrapassar a marca dos 200 milhões de dólares de receitas globais em IMAX e impulsionou a empresa de exibição para o seu mês de maior bilheteira de sempre, com 257 milhões de dólares só em julho, 47% acima do recorde mensal anterior, de acordo com um documento da IMAX. O mesmo documento mostra que o filme se tornou o lançamento IMAX com maior receita de bilheteira de sempre em duas dezenas de mercados diferentes, incluindo México, Itália, Tailândia e Índia, e que as suas 41 salas de cinema dedicadas à projeção IMAX 70mm estavam esgotadas semanas antes.
O que diferencia "A Odisseia" de um típico blockbuster de verão é o seu formato. Nolan filmou a longa-metragem inteiramente com câmaras IMAX, sendo a primeira longa-metragem produzida desta forma, utilizando uma câmara mais leve e silenciosa, recém-construída e desenvolvida especificamente para a produção, além de modelos anteriores, de acordo com da Wikipédia citadas por órgãos de imprensa especializados. Apenas 41 salas de cinema em todo o mundo podem exibir o filme em IMAX 70mm, um formato de apresentação que as publicações da indústria descrevem como o "padrão de ouro do cinema". Estas salas, embora representem uma pequena fração dos mais de 8.000 cinemas que exibirão o filme a nível global, renderam lucros extraordinários: as salas com IMAX 70mm arrecadaram, em média, 673.000 dólares por sala num único fim de semana no início de agosto, segundo o registo da IMAX. A AMC Theatres, que opera aproximadamente metade de todos os ecrãs IMAX nos Estados Unidos, informou separadamente que os dois primeiros fins de semana do filme geraram a maior receita IMAX da história da cadeia, com a sua principal unidade, a Lincoln Square 13, em Nova Iorque, a exibir sessões IMAX 70mm 24 horas por dia, de sexta-feira a domingo, durante dois fins de semana consecutivos, de acordo com um comunicado da AMC.
A trajetória comercial segue uma estreia que já bateu todos os recordes pessoais de Nolan. "A Odisseia" estreou com 264,1 milhões de dólares em todo o mundo em meados de julho, incluindo 124,5 milhões de dólares nos Estados Unidos, o que, na altura, a Universal Pictures confirmou ser a maior estreia global do realizador, à frente de "Batman: O Cavaleiro das Trevas Renasce", com 249 milhões de dólares, segundo a Reuters. Ajustando pela inflação, esta estreia ainda fica atrás das estreias de "Batman: O Cavaleiro das Trevas Renasce" e "Batman: O Cavaleiro das Trevas", observou a mesma notícia da Reuters, sublinhando o quanto o público de Nolan migrou para os seus trabalhos fora do género de super-heróis nos anos que se seguiram a "Oppenheimer". O filme é protagonizado por Matt Damon no papel de Odisseu, com Anne Hathaway no papel de Penélope, Tom Holland no papel de Telémaco e Zendaya no papel de Atena, e adapta o poema épico de Homero com um orçamento de produção estimado em cerca de 250 milhões de dólares, de acordo com o Independent.
A marca histórica coincide com um período excecionalmente forte para o setor cinematográfico em geral. As receitas de bilheteira nos Estados Unidos atingiram os 6,2 mil milhões de dólares até 2 de agosto, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2015 e o ritmo mais acelerado do setor desde antes da pandemia, segundo uma análise da Reuters com base em dados da empresa de análise de media Rentrak. Ainda assim, o mesmo relatório apurou que os cinemas venderam apenas 470,9 milhões de bilhetes nas primeiras 30 semanas do ano, em comparação com 747,3 milhões no mesmo período de 2019, de acordo com dados da S&P Global Market Intelligence citados pela Reuters. Por outras palavras, a recuperação das receitas está a ser impulsionada por um número mais reduzido de pessoas dispostas a pagar um preço substancialmente mais elevado por bilhete, e não por um regresso aos níveis de público pré-pandemia: o preço médio do bilhete para adultos era de 13,46 dólares até 30 de julho, enquanto os formatos premium, incluindo o IMAX, tiveram um preço médio de 18,22 dólares, segundo da Reuters . A AMC afirmou que a forte procura por estas salas premium contribuiu para que registasse a maior receita num único fim de semana nos seus 106 anos de história, no mesmo fim de semana em que "Uma Odisseia no Espaço" e "Homem-Aranha: Um Novo Dia" partilharam as salas, com mais de 10,2 milhões de espectadores a visitarem os seus cinemas AMC e Odeon, de acordo com o da Reuters .
"A Odisseia" ainda tem espaço para crescer. O filme ainda não estreou na China, onde chega ao grande ecrã a 14 de agosto em quase 800 salas IMAX, nem no Japão, onde estreia a 11 de setembro, segundo o da Wikipédia que acompanha o seu calendário de estreias. As exibições em IMAX 70mm, originalmente previstas para terminar a 17 de agosto, já foram prolongadas até 16 de setembro, depois de esgotarem os bilhetes durante sete semanas consecutivas, de acordo com o mesmo calendário. Com estes grandes mercados ainda pela frente, as estimativas do setor compiladas pela Variety apontam para uma receita mundial final plausível entre 1,1 mil milhões e 1,3 mil milhões de dólares, uma faixa que faria de "A Odisseia" não só o maior filme de Nolan, mas também um dos poucos títulos originais, fora das franquias, da década a atingir este patamar.
O sucesso do filme também redefine os recordes do estúdio e do formato em simultâneo. É um dos três lançamentos da Universal Pictures a ultrapassar os mil milhões de dólares de bilheteira mundial em 2026, juntamente com "Super Mario Galaxy: O Filme" e "Michael", e garantiu à Universal uma participação de 24% nas bilheteiras domésticas deste ano, segundo a Reuters. Para o IMAX, a exibição já produziu o mês com maior receita de bilheteira em mais de 50 anos de funcionamento e a primeira sequela de três fins de semana consecutivos com uma receita global superior a 50 milhões de dólares para um único título, de acordo com o comunicado da IMAX. Estes números sugerem que, mesmo com a frequência geral aos cinemas muito abaixo dos níveis de 2019, um grupo de cinéfilos está disposto a pagar um valor consideravelmente mais elevado por uma experiência cinematográfica específica em formato grande, que não pode ser replicada em casa — uma dinâmica que "A Odisseia" transformou na história de sucesso de bilheteira do verão.