Um quarto ataque numa semana atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, no domingo, provocando um incêndio no Terminal 4 e causando um número não especificado de feridos, enquanto as autoridades sauditas mantiveram o aeroporto fechado. A coligação liderada pela Arábia Saudita afirmou que um projétil não identificado atingiu o terminal de passageiros e que as defesas aéreas intercetaram um míssil de cruzeiro junto ao aeroporto, de acordo com o comunicado oficial saudita e informações da Reuters.
O ataque mais recente representa uma escalada significativa em relação ao ataque relatado no sábado, que matou 13 pessoas e feriu mais de 300, depois de uma das vítimas ter falecido posteriormente, segundo a AP e a Reuters. As autoridades ainda não tinham divulgado um número preciso de feridos no ataque de domingo nem uma avaliação completa dos danos até ao meio da tarde, hora do leste dos EUA. O projétil foi descrito publicamente como não identificado, e os registos oficiais disponíveis não estabeleceram quem o lançou.
O novo ataque ocorreu após dois atentados na quinta-feira que mataram três cidadãos sauditas e danificaram uma aeronave da Saudia, seguindo-se o ataque de sábado que fez um grande número de vítimas. Esta sequência faz do incidente de domingo, pelo menos, o quarto ataque ao complexo aeroportuário em quatro dias. Transforma também o que já se tinha tornado uma grande disrupção na aviação numa crise de segurança contínua num dos centros civis mais importantes da região.
Um aeroporto fechado e um número de vítimas ainda por resolver
O Aeroporto Internacional Rei Khalid permaneceu encerrado no domingo, noticiaram a Reuters e a AP, depois de os terminais 3 e 4 terem sido atingidos no sábado. As autoridades da aviação saudita disseram que as equipas de emergência estavam a controlar o incêndio no Terminal 4 e a prestar auxílio aos feridos no ataque mais recente, mas não informaram quantas pessoas ficaram feridas, se algum dos ferimentos era grave ou quando as operações poderiam ser retomadas. Estas omissões são importantes porque o aeroporto serve a capital da Arábia Saudita, uma cidade com cerca de 8 milhões de habitantes, e é um importante ponto de ligação para viagens governamentais, comerciais e do setor energético.
O número de mortos no ataque de sábado subiu para 13, depois de a embaixada da Índia ter informado que um cidadão indiano tinha falecido na sequência dos ferimentos. Entre as vítimas do ataque de sábado estavam cidadãos sauditas e residentes ou viajantes estrangeiros, incluindo um norte-americano. O ataque anterior já tinha gerado extensos cancelamentos e desvios de voos, como noticiou a TAQ, e o novo ataque de domingo torna a normalização das relações a curto prazo mais difícil de prever.
Os Estados Unidos atualizaram este sábado o seu alerta de viagem para a Arábia Saudita, mantendo o país no Nível 3, "Reconsidere a viagem". O Departamento de Estado informou que os funcionários do governo norte-americano precisam de uma autorização especial para utilizar o Aeroporto Internacional Rei Khalid e aconselhou os cidadãos norte-americanos a tomarem precauções semelhantes. O Reino Unido, por sua vez, aconselhou os seus cidadãos a evitarem o aeroporto até que este esteja em segurança e alertou que são muito prováveis novos ataques a aeroportos sauditas.
O que está confirmado e o que se mantém em disputa
As autoridades sauditas confirmaram o impacto, o incêndio e os feridos no domingo, mas não identificaram publicamente o projétil nem forneceram provas forenses sobre a sua origem. Os houthis reivindicaram a autoria do ataque mortal de sábado e disseram ter atacado também o aeroporto de Dammam e duas instalações da Saudi Aramco. As autoridades sauditas não confirmaram estas alegações adicionais dos houthis até ao fecho desta edição, e a Reuters noticiou que a Aramco não respondeu a um pedido de comentário.
Esta distinção é importante. A sequência de acontecimentos indica fortemente que o aeroporto continua a ser um alvo activo, mas a responsabilidade pelo projéctil específico disparado no domingo ainda não foi estabelecida de forma independente. Os houthis renovaram também os alertas às companhias aéreas, aos funcionários dos aeroportos e aos viajantes para que não utilizem os aeroportos sauditas, aumentando o risco de que a aviação comercial continue a ser afetada mesmo que as autoridades reabram partes do Aeroporto Internacional Rei Khalid.
A Arábia Saudita intensificou as operações aéreas no Iémen, ao mesmo tempo que apoia uma contra-ofensiva do governo iemenita reconhecido internacionalmente. Os houthis afirmaram que as forças sauditas realizaram 124 ataques aéreos no Iémen nas últimas 24 horas, um número que não pôde ser verificado de forma independente. As suas autoridades também reportaram vítimas civis em Sanaa, alegadamente devido a um ataque saudita; as autoridades sauditas não comentaram esta alegação.
A decisão dos EUA tem agora um peso maior
O presidente Donald Trump afirmou no sábado que os Estados Unidos estavam a considerar juntar-se aos ataques sauditas contra os houthis e que planeavam conversar com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. O Washington Post noticiou que Washington já estava a fornecer apoio de inteligência, mas não se tinha comprometido com assistência militar direta. Até domingo à tarde, não havia novas decisões da Casa Branca.
Uma intervenção dos EUA poderá ampliar um conflito já ligado à guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão. Poderá também expor a navegação pelo estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Mar Vermelho, a novas interrupções. A Associated Press noticiou que os houthis tinham tomado áreas estratégicas perto do estreito no mês passado, enquanto as forças apoiadas pela Arábia Saudita tentavam retomá-las, ligando os ataques ao aeroporto a uma disputa mais ampla por rotas marítimas, fluxos de petróleo e capacidade de defesa aérea.
A participação imediata dos EUA deixou de ser abstrata. Um norte-americano estava entre os mortos no sábado, os militares norte-americanos enfrentam restrições nos aeroportos e Trump está a considerar uma ação militar. Mas nem Washington nem Riade anunciaram uma resposta definitiva, e qualquer alegação de que o ataque de domingo compromete automaticamente os Estados Unidos a uma nova campanha extrapolaria os factos confirmados.
A diplomacia energética prossegue sob ameaça
O ataque de domingo ocorreu enquanto Riade acolhia uma importante conferência internacional de energia a cerca de 10 quilómetros do aeroporto. A conferência começou como planeado, mas o Financial Times noticiou que executivos de alto nível do setor energético retiraram-se após os ataques ao aeroporto. A Associated Press afirmou que o evento e um próximo encontro de investidores são fundamentais para o esforço da Arábia Saudita em se apresentar como um destino global de negócios e turismo.
A continuidade do incidente não significa que a crise de segurança esteja controlada. O aeroporto mantinha-se encerrado, o número de vítimas ainda não tinha sido totalmente contabilizado e a origem do projétil de domingo continuava sob investigação. Os próximos factores decisivos serão se as autoridades sauditas conseguirão reabrir o aeroporto em segurança, se os houthis reivindicarão explicitamente o ataque, se Riade dará a resposta prometida e se Trump enviará tropas norte-americanas. Até lá, o desenvolvimento confirmado é mais restrito, porém consequente: um aeroporto civil já atingido repetidamente sofreu mais um ataque terminal, com novos feridos e sem um fim claro para a ameaça.