Na quarta-feira, o Supremo Tribunal dos EUA autorizou o Tennessee a avançar com a execução de Christa Gail Pike, revertendo uma suspensão de última hora concedida por um tribunal federal de recurso e restaurando a autoridade do estado para cumprir a sentença enquanto o mandado de execução se mantivesse em vigor.

A decisão foi proferida após horas de intenso litígio. O 6º Tribunal de Apelação do Circuito dos EUA votou por 2-1 para conceder uma breve suspensão, aproximadamente uma hora antes da execução marcada para as 10h da manhã, hora central. O painel afirmou que precisava de tempo para considerar se as alegações de abuso sexual grave na infância feitas por Pike tinham sido devidamente avaliadas na sentença. O Tennessee solicitou imediatamente a intervenção do Supremo Tribunal, e os juízes revogaram posteriormente a suspensão, segundo a Associated Press.

A agenda de emergência do Supremo Tribunal mostra o pedido do estado para revogar a suspensão, a resposta de Pike e a réplica do estado, todos apresentados na quarta-feira no caso 26A428. A disputa chegou ao juiz Brett Kavanaugh porque o Tennessee está no Sexto Circuito; a decisão do tribunal removeu a suspensão federal em vez de rever a condenação original de Pike.

Pike, de 50 anos, foi condenada à morte pelo homicídio, em 1995, de Colleen Slemmer, de 19 anos, sua colega num programa profissional em Knoxville. Pike tinha 18 anos na altura. Os seus advogados argumentaram que os jurados não foram informados sobre a extensão total do trauma sofrido por ela na infância e os seus diagnósticos posteriores de saúde mental; o estado sustentou que as alegações foram feitas demasiado tarde e que a sentença deveria ser cumprida. A Reuters noticiou que o governador Bill Lee negou o pedido de clemência de Pike no início desta semana e que a mãe de Slemmer apoiou a execução.

O que muda a decisão

A consequência imediata é processual: a suspensão federal já não impede a execução no Tennessee. A ordem de execução estadual, no entanto, tem uma data específica. A decisão do Supremo Tribunal do Tennessee, que estabeleceu a data, autorizou a sentença para 30 de setembro de 2026, a menos que outro tribunal ou autoridade interviesse. A Associated Press noticiou que, se o estado não agisse antes do vencimento do mandado à meia-noite, o Supremo Tribunal do Tennessee teria de marcar uma nova data.

O processo surgiu também depois de outras alternativas se terem esgotado. Os registos do tribunal de recurso do Tennessee mostram que o Supremo Tribunal estadual negou uma suspensão a 23 de setembro. O Supremo Tribunal dos EUA negou um pedido de suspensão separado na terça-feira, antes de o Sexto Circuito emitir a ordem temporária na quarta-feira.

O Departamento de Correções do Tennessee preparou a Instituição de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville, para a execução e selecionou testemunhas dos meios de comunicação social de acordo com as diretrizes publicadas a 14 de setembro. O Tennessee não executa uma mulher há pelo menos 200 anos, e as execuções de mulheres continuam a ser raras em todo o país.

A decisão do Supremo Tribunal resolveu apenas a questão imediata de saber se a suspensão imposta pelo Sexto Circuito se manteria em vigor. Não resolveu a disputa mais ampla sobre a forma como a idade, o trauma e a saúde mental de Pike deveriam afetar a punição, nem confirmou, por si só, que a execução tinha sido concluída.