Donald Trump venceu as primárias republicanas para a presidência em New Hampshire com aproximadamente 54% dos votos esta semana, derrotando a ex-governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, por cerca de 11 pontos percentuais e reforçando a sua posição como o principal candidato à nomeação republicana de 2024. Os resultados oficiais do estado mostraram Trump com a maioria dos eleitores republicanos nas primárias, enquanto Haley ficou com pouco mais de 40% dos votos, uma margem inferior à vitória de Trump no Iowa, mas ainda assim uma vitória decisiva num estado onde Haley tinha investido bastante.

O resultado surgiu dois dias depois de o governador da Florida, Ron DeSantis, ter terminado a sua campanha e declarado apoio a Trump, reduzindo efetivamente a principal disputa republicana a Trump e Haley. As primárias semiabertas de New Hampshire permitiram a participação de eleitores independentes, dando a Haley um eleitorado potencialmente mais favorável do que provavelmente encontrará em muitas das próximas disputas republicanas. Mesmo nestas condições, Trump venceu e alargou a vantagem em delegados que tinha conquistado no Iowa.

Uma vitória decisiva num eleitorado invulgarmente aberto

As primárias presidenciais de New Hampshire diferem estruturalmente de muitas eleições posteriores, uma vez que o grande bloco de eleitores indecisos do estado pode escolher as primárias de qualquer um dos partidos. O centro de informação eleitoral registou mais de 340.000 eleitores indecisos registados pouco antes do dia das eleições, juntamente com aproximadamente 268.000 republicanos e 261.000 democratas registados. O Secretário de Estado, David Scanlan, tinha previsto uma participação excecionalmente elevada numa projeção pré-primária, refletindo o intenso interesse tanto na disputa republicana como na campanha de votos por escrito dos democratas para o presidente Joe Biden.

A vitória de Trump teve, portanto, um significado que foi para além da simples conquista de delegados. A campanha de Haley defendia que New Hampshire oferecia uma oportunidade para demonstrar que Trump poderia ser derrotado num confronto direto, especialmente entre eleitores independentes e com formação universitária. Em vez disso, Trump manteve a maioria do eleitorado republicano, mesmo com o desempenho substancialmente melhor de Haley em comparação com outros candidatos no Iowa.

A distribuição final dos delegados deu a Trump 13 dos 22 delegados republicanos de New Hampshire e a Haley nove. O sistema proporcional do estado significava que Haley ainda conquistava delegados, mas o sinal político mais amplo era desfavorável à sua campanha: depois de Iowa e New Hampshire, Trump tinha ganho as duas primeiras disputas e forçado todos os outros principais rivais republicanos a desistir da corrida, com exceção de Haley.

Haley permanece na disputa enquanto a corrida segue para sul

Haley reconheceu a derrota em New Hampshire, mas rejeitou as sugestões de que a disputa pela nomeação estivesse encerrada. Em declarações após o fecho das urnas, felicitou Trump, afirmando, no entanto, que a corrida ainda estava longe de terminar. A cobertura jornalística do seu discurso na altura destacou a sua intenção de seguir para o seu estado natal, a Carolina do Sul, cujas primárias republicanas estão marcadas para 24 de fevereiro. O resultado em New Hampshire aumenta a pressão sobre Haley para demonstrar que consegue converter o seu apoio entre os eleitores independentes e os republicanos mais moderados numa coligação suficientemente ampla para competir em estados com eleitorados mais alinhados com a base nacional do Partido Republicano.

A desistência de DeSantis restringiu ainda mais o caminho estratégico de Haley. O seu apoio a Trump eliminou um rival que vinha a competir com Trump pelos votos conservadores e tornou mais difícil para Haley argumentar que o apoio ao ex-presidente se fragmentaria num cenário com tantos candidatos. A disputa na Carolina do Sul representa agora um teste direto entre Trump, que conta com o apoio de muitas autoridades republicanas do estado, e Haley, que cumpriu dois mandatos como governadora daquele estado.

Trump reivindica vantagem e dirige os seus ataques a Haley

No seu discurso de vitória, Trump enfatizou que tinha ganho tanto no Iowa como em New Hampshire, mas as suas observações também foram dirigidas a Haley. Na transcrição do discurso, Trump criticou repetidamente a decisão dela de permanecer na corrida e descreveu as primárias como praticamente definidas. Estava acompanhado no palco por aliados republicanos, incluindo ex-rivais que o apoiaram.

Em declarações televisivas transmitidas pelo PBS NewsHour, o tom de Trump sublinhou uma característica central da campanha que se inicia em Fevereiro: já não está a dedicar a maior parte da sua energia a diferenciar-se de um grande grupo de candidatos republicanos. Em vez disso, a sua campanha está a agir cada vez mais como a de um provável favorito, atacando o último grande adversário que resta e, ao mesmo tempo, voltando a sua atenção para uma possível desforra com Biden.

O resultado não define matematicamente a nomeação. Os delegados republicanos serão distribuídos por dezenas de estados ao longo da primavera, com as maiores concentrações a ocorrerem na Super Terça-feira e nos dias seguintes, em março. A decisão de Haley de continuar na corrida significa que os eleitores republicanos ainda terão uma alternativa, e as regras proporcionais em alguns dos primeiros estados permitem-lhe acumular delegados mesmo sem ganhar diretamente.

O calendário torna-se agora o argumento mais forte de Trump

O calendário de nomeações, no entanto, está a tornar-se rapidamente mais difícil para Haley. O eleitorado de New Hampshire foi excecionalmente favorável à sua coligação, mas Trump conquistou, ainda assim, a maioria dos votos. A Carolina do Sul tem uma base republicana mais conservadora, e Trump já acumulou aí um amplo apoio de autoridades eleitas. Depois da Carolina do Sul, a disputa expande-se rapidamente para estados onde a organização, os recursos financeiros e a força nas sondagens nacionais se tornam cada vez mais importantes.

As dificuldades legais de Trump também permanecem intrinsecamente ligadas à campanha. Procura simultaneamente a presidência enquanto enfrenta processos criminais em múltiplas jurisdições e ações cíveis, circunstâncias sem precedentes para um pré-candidato de um grande partido. No entanto, as duas primeiras prévias republicanas não mostraram que estes casos tenham enfraquecido a sua posição entre os eleitores das primárias do Partido Republicano. Pelo contrário, Trump consolidou o seu apoio à medida que o número de candidatos diminuiu.

Assim, New Hampshire coloca a corrida republicana numa posição invulgar. Haley mantém-se ativa, continua a angariar fundos e demonstrou que uma minoria substancial de eleitores republicanos e independentes deseja uma alternativa. Mas Trump ganhou as duas primeiras disputas, conquistou a maior parte dos delegados e forçou um confronto direto num terreno que o favorece cada vez mais. O próximo mês determinará se Haley conseguirá transformar a sua minoria em New Hampshire num desafio nacional duradouro ou se as vitórias iniciais de Trump se tornarão a base para uma rápida ascensão rumo à nomeação.