As autoridades federais de saúde libertaram esta semana a administração de doses de reforço da vacina Pfizer-BioNTech contra a COVID-19 para jovens de 16 e 17 anos, estendendo a campanha de imunização nos EUA à faixa etária mais jovem até à data, numa altura em que o país enfrenta o aumento da transmissão no inverno e a incerteza inicial em torno da variante Ômicron.

a Food and Drug Administration (FDA) alterou a autorização de utilização de emergência da vacina para permitir uma dose de reforço única para pessoas com 16 e 17 anos, pelo menos seis meses após terem concluído o esquema de vacinação primária com a Pfizer. Horas depois, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) aprovaram a medida, disponibilizando a dose adicional de imediato.

Uma expansão mais restrita do que o programa de reforço para adultos

Os adultos com 18 anos ou mais já podem receber doses de reforço de qualquer uma das três vacinas autorizadas nos Estados Unidos, respeitando as recomendações de intervalo. Para os jovens de 16 e 17 anos, no entanto, a Pfizer-BioNTech é a única vacina autorizada para a dose de reforço, uma vez que os produtos da Moderna e da Johnson & Johnson não estão autorizados como vacinação primária para menores de 18 anos.

A decisão surge após meses de debate sobre a abrangência da utilização das doses de reforço. Inicialmente, as entidades reguladoras restringiram a terceira dose aos idosos e às pessoas com risco elevado de desenvolver a doença, antes de alargarem a elegibilidade a todos os adultos em novembro. A mais recente mudança reflecte a crescente evidência de que a protecção contra a infecção pode diminuir com o tempo, enquanto a protecção contra a forma grave da doença permanece mais forte.

No seu comunicado, a Pfizer afirmou que a autorização foi baseada em dados de segurança e resposta imunitária de pessoas que receberam uma dose de reforço após a série primária de vacinação. As entidades reguladoras também tiveram em conta a experiência mais ampla com doses de reforço já administradas a adultos.

A miocardite continua a fazer parte do cálculo de risco

A principal preocupação de segurança nos homens jovens é a miocardite e a pericardite, condições inflamatórias cardíacas raras observadas com maior frequência após a segunda dose de vacinas de mRNA em adolescentes e jovens adultos do sexo masculino. A maioria dos casos identificados resolveu-se com tratamento e repouso, mas este sinal tornou a análise de risco-benefício especialmente importante ao alargar a política de reforço aos grupos etários mais jovens, que geralmente apresentam um menor risco de COVID-19 grave do que os adultos mais velhos.

A FDA afirmou que as provas disponíveis demonstram um equilíbrio favorável entre os benefícios e os riscos de uma dose de reforço para jovens de 16 e 17 anos. Uma reportagem da Associated Press, transmitida simultaneamente pela PBS, referiu que as autoridades estão a ponderar estes riscos invulgares associados à vacina em relação ao contínuo fardo de infeções, hospitalizações e complicações pós-infeção causadas pelo próprio vírus.

A Associação Americana de Hospitais destacou o efeito prático da autorização para hospitais e programas de vacinação: os adolescentes elegíveis podem agora receber uma terceira dose da vacina Pfizer dentro do mesmo intervalo de seis meses utilizado para muitos adultos.

A variante Ômicron altera a urgência, mas ainda não a base de evidência

A decisão surge numa altura em que os cientistas se apressam a compreender a variante Ômicron. Os primeiros trabalhos em laboratório estão a examinar se a proteína spike, altamente mutada, reduz os anticorpos neutralizantes gerados pela vacinação ou por infecções prévias. As autoridades alertaram que as medições em laboratório representam apenas uma parte da proteção e que as respostas das células T e outros mecanismos imunológicos podem continuar a proteger contra doenças graves.

Por enquanto, as autoridades federais não estão a recomendar uma vacina específica contra a variante Ômicron. Em vez disso, estão a incentivar as pessoas não vacinadas a completarem a vacinação primária e as pessoas elegíveis a receberem doses de reforço utilizando produtos já existentes. Uma reportagem da CBS descreveu a expansão como parte de uma estratégia federal mais ampla para aumentar a imunidade antes que a variante Ômicron se torne mais disseminada.

A recomendação surge numa altura em que a variante Delta continua a ser responsável pela grande maioria das infeções nos EUA. Os casos e as hospitalizações estão a aumentar em várias regiões, principalmente porque o tempo mais frio leva as pessoas a reunirem-se em ambientes fechados. Isto significa que a política de reforço da vacina precisa de abordar um problema imediato com a variante Delta, mesmo enquanto as autoridades se preparam para uma variante cujo impacto clínico ainda é desconhecido.

A questão seguinte é a proteção ao longo do tempo

A expansão da dose de reforço acrescenta mais uma camada a um sistema de vacinação cada vez mais específico para cada faixa etária. As crianças dos 5 aos 11 anos estão a receber uma dose mais baixa da vacina primária da Pfizer; os adolescentes dos 12 aos 15 anos podem receber a série padrão de duas doses, mas ainda não são elegíveis para a dose de reforço; e as pessoas com 16 anos ou mais têm agora acesso a doses adicionais, de acordo com as recomendações federais.

As entidades reguladoras continuarão a analisar os dados sobre a duração da proteção, o risco de miocardite e as taxas de infeção após a vacinação. A decisão para os jovens de 16 e 17 anos não resolve a questão mais ampla de saber se as doses de reforço se tornarão rotina para as populações mais jovens ou se permanecerão uma resposta a uma fase específica da pandemia.

Para as famílias e os médicos que precisam de tomar decisões hoje, a política é mais imediata: uma terceira dose da vacina Pfizer está agora autorizada e recomendada para os jovens de 16 e 17 anos elegíveis, seis meses após a segunda dose. Esta expansão oferece aos Estados Unidos mais uma ferramenta para enfrentar o inverno, mas o seu valor final dependerá da duração da proteção adicional e da forma como o vírus evoluirá nos próximos meses.